Cardiologia: explorar fronteiras, expandir conhecimentos

“Explorando As Fronteiras Da Cardiologia” foi o lema da IV reunião clínica anual da UCARDIO – Unidade Cardiovascular de Riachos. o cardiologista e coordenador do projeto, Doutor Jorge Humberto Guardado, conta ao perspetivas os resultados desta reunião que, além de ser um evento de referência, fomenta a troca de experiências e a partilha de saber."

Pelo quarto ano consecutivo, a UCARDIO reafirmou a sua importância internacional no domínio da Cardiologia, juntando vários profissionais em torno de um programa dedicado aos limites desta especialidade, aproximando-a de outras áreas, nomeadamente a Pediatria e Pneumologia. Para Jorge Guardado, esta Reunião de dois dias tem o mérito de criar uma ponte entre o meio clínico e o exterior. Além disso, “torna-se também interessante pela diversidade de temas”, já que, colocando a cardiologia no centro, estabelecem-se parcerias que beneficiam a ciência e os pacientes. Assim, mais do que uma reunião de cardiologistas, este é um evento dedicado a aproximar doentes, classe médica e parceiros institucionais.
Destaques
Nesse sentido, o clínico considera que um dos pontos altos da reunião foi o bloco “Para além da Cardiologia – O que preocupa os doentes”, já que permitiu cruzar o saber científico com preocupações transversais a muitos pacientes, como apneia de sono, Dr. Orlando Santos, patologias renais, Dra. Ana Vila Lobos, e hiperhidrose, Prof. Javier Gallego. Uma das novidades da edição de 2019 prende-se com uma iniciativa inédita, o Curso de Cardiologia Avançada, decorrido na manhã do primeiro dia. Trata-se de um curso prático, baseado na especialização de Jorge Guardado na área da Cardiologia de Intervenção e no SimulHeart – uma tecnologia desenvolvida pelos Doutores João Silva Marques e Manuel Oliveira Santos (da equipa da UCARDIO) para a simulação em 3D daquilo que diariamente ocorre nas salas de hemodinâmica e Intervenção Cardiovascular. Contando com o honorável patrocínio da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), “o curso foi um sucesso”, já que foi o primeiro do género em Portugal e teve uma adesão substancialmente superior à prevista. Outro ponto merecedor de destaque foi o Curso para Técnicos de Cardiopneumologia, pois abriu também a Reunião a profissionais com um papel determinante no trabalho diário de um Cardiologista. Ambos os cursos foram complementados por oficinas de trabalho, onde participaram 50 formandos. O Primeiro dia encerrou com a Sessão Solene de Abertura, que foi precedida da conferência da Prof. Hortense Cotrim sobre consentimento informado em idades pediátricas, trabalho feito em grande parte na UCARDIO. Respeitando o sucesso alcançado, também o dia seguinte arrancou com “uma mesa brilhante” sobre a atualidade da Cardiologia com excelentes comunicações, onde esteve envolvido o Corpo Clínico da UCARDIO, tendo depois um painel de grande qualidade na moderação e comentários, Dra. Maria José Loureiro, Dr. Carlos Catarino e Dr. Rui Caria. Seguiu-se a conferência do Professor Carlos Cotrim, que tem desenvolvido um importante trabalho de pesquisa na aplicabilidade do Ecocardiograma de Esforço nas crianças, sendo a UCARDIO um dos principais Centros onde reside essa investigação. Antes da pausa para almoço houve ainda lugar para uma conferência sobre sexualidade masculina, promovida pelo Dr. Paulo Vasco e com comentário da psicóloga da UCARDIO, Dra. Sara Carvalhal. “Fechou com chave de ouro, principalmente sendo uma mulher a comentar esta temática”, acrescenta o Dr. Jorge Guardado. Posteriormente, o jurista Luís Miguel Dória alargou a discussão à Lei, Ética e Responsabilidade no Ato Médico e em Medicinas Alternativas, um tema cuja importância se cruza com a atualidade mediática. No final, depois da Sessão Casos Clínicos, foi atribuído um prémio monetário ao caso vencedor.
Debate de interesse público
Contando 184 participantes, a Reunião teve lugar a 25 e 26 de outubro, dividindo-se entre o Convento do Carmo e a Biblioteca Municipal, em Torres Novas. Pela primeira vez, palestrantes, assistentes e técnicos oriundos de várias latitudes pernoitaram por estas paragens, desenvolvendo assim o tecido comercial da região. Por outro lado, a repercussão nas redes sociais demonstra a importância deste evento, reforçando o papel da UCARDIO e comprovando a excelência da iniciativa. Para o futuro, espera-se elevar a fasquia e dar continuidade ao desafio de organizar a V edição desta Reunião. Fonte: perspetivas.pt
Ler mais...

“Troquei Lisboa por Torres Novas e ganhei uma qualidade de vida muito superior”

Ana Pais dos Santos - Gestora de Recursos de Saúde, 39 anos - Directora Geral da UCARDIO - Centro Clínico em Riachos, Torres Novas

A nossa política hidrográfica é algo que nunca entendi muito bem. As barragens e represas que eram para ser construídas nunca foram concretizadas. Muito se fala em poluição. Penso que estamos a melhorar lentamente e quero acreditar que nas gerações futuras se irá viver tendo como princípio básico a preocupação ambiental. As maiores oportunidades profissionais e as infra-estruturas de grande envergadura estão centralizadas nas grandes cidades. No meu caso foi o inverso, saí de Lisboa para o concelho de Torres Novas onde consegui encontrar uma carreira profissional e uma qualidade de vida muito superior. Como adulta nunca enviei postais de Boas Festas pelos Correios. É sempre por mensagem, chamada telefónicas ou através das redes sociais. Já pensei comprar um carro dos eléctricos mas ainda não é a altura certa. No entanto, a minha preocupação com o ambiente é uma constante. No meu dia-a-dia sigo a política dos cinco érres (Responsabilidade, Redução, Reutilização, Reciclagem, Revolução), tento fazer algo mais pelo futuro dos meus descendentes. Comecei a trabalhar em Setembro de 1999, com 19 anos. Entre os “part-time” que tive durante o ensino superior, e os vários anos de trabalho precário como professora das actividades extracurriculares no primeiro ciclo do ensino básico, mudei oito vezes de trabalho até encontrar um emprego que me preencheu completamente, que me motivou até para voltar a estudar, no qual estou há uma década. Confesso que me tenho adaptado apenas por questões profissionais. No meu dia-a-dia se não estiver completamente concentrada escrevo com a grafia anterior. Vim estudar para Torres Novas em 2000, acabei por criar as minhas raízes aqui. Apaixonei-me pela qualidade de vida, pelas pessoas, pela beleza da região. Estou feliz aqui. A nível pessoal e profissional sou uma pessoa realizada. Aqui consigo ter uma excelente qualidade de vida. O facto de conseguir levar os meus filhos ao infantário a pé, de os levar a passear sem medos, não passar horas presa no trânsito é algo que não tem preço. Do que sinto falta ao morar numa zona mais interior é da praia. Mas mesmo assim temos excelentes alternativas como as praias fluviais. Pessoalmente não assisto a touradas, no entanto respeito. As nossas raízes existem não as podemos desconsiderar. Para mim o grande acontecimento da região é a Festa da Bênção do Gado, em Riachos. As ruas todas adornadas representam a dedicação da população e do muito trabalho desenvolvido. Sem esquecer o cortejo, que é simplesmente magnífico. É uma festa que se realiza de quatro em quatro anos. Aqui ao lado, na Golegã, temos anualmente a Feira de S. Martinho. Fonte: https://omirante.pt/omirante/2019-11-21-Troquei-Lisboa-por-Torres-Novas-e-ganhei-uma-qualidade-de-vida-muito-superior
Ler mais...

IV Reunião Clínica Anual da UCARDIO

Em entrevista ao perspetivas, o Dr. Jorge Guardado, presidente da comissão organizadora, lança o mote da IV Reunião Clínica Anual da UCARDIO, que decorre nos dias 25 e 26 de outubro, em Torres Novas.

Perspetivas (P): Este ano, a Reunião Clínica será subordinada ao tema “Explorando as Fronteiras da Cardiologia”. Que elementos justificaram a escolha deste mote? E qual a importância de se sintonizar esta especialidade com outras áreas da Medicina?
Jorge Guardado (JG): Desde a segunda edição que lançámos sempre um atributo que caracterizasse da melhor forma cada Reunião. Já passamos pelos Lemas “Cardiologia Verde” em 2017 e na edição de 2018, por “Cálice Sagrado da Cardiologia”. Agora, seguimos para testar e conquistar os limites da Cardiologia enquanto especialidade ao entrarmos em linhas que são classicamente disputadas por outras especialidades, por exemplo pela Pediatria, onde iremos ter duas magníficas conferências sobre aplicabilidade da Ecocardiografia de Esforço e o seu Consentimento Informado em idades juvenis. A Cardiologia é uma área da Medicina Interna que atualmente se relaciona com outras especialidades, algumas destas improváveis, quando nasceu no século passado. O atual processo diagnóstico por multimodalidade de imagem e a Intervenção Cardiovascular Percutânea (tratamentos por Cateterismo Cardíaco, Ex. Angioplastia Coronária) ampliou as fronteiras da Cardiologia e modificou fortemente a relação que hoje existe com as restantes especialidades. Se do ponto de vista Clínico mantemos especial relação com os Cuidados Primários de Saúde no ambulatório e com a Medicina Interna nos Serviços de Urgência Hospitalares, já quando falamos em estratégias mais específicas de diagnóstico, estratificação de risco e tratamento dos doentes entra-mos facilmente nos campos da Radiologia, Cirurgia Cardíaca, Pneumologia, Neurologia, Cirurgia Vascular, Medicina Nuclear, entre outras.
P: Uma leitura do Programa permite notar, desde logo, a presença de um leque bastante heterogéneo de convidados/intervenientes. Como poderemos caracterizar este mesmo painel e as expectativas por ele proporcionadas?
JG: É de facto uma característica que nos distingue de outras Reuniões de Cardiologia. Tratam-se de Jornadas efetuadas para um público também ele com bastante diversidade e por isso a necessitar que os temas abordados sejam do maior espectro e interesse. Para mais na UCARDIO a Cardiologia é rainha mas a Unidade tem na sua oferta outras Especialidades compostas por um excelente e prestigiado Corpo Clínico. Para nós faz sentido que se conjuguem todos estes ingredientes num programa que seja atrativo para todos os participantes.
P: Falando, mais concretamente, sobre as temáticas que serão levadas a debate e reflexão: quais são, no entender da organização, os temas mais relevantes do Programa e que fatores motivaram a escolha desses tópicos?
JG: Desde logo, no primeiro dia da Reunião, 25 de outubro, destacamos as Oficinas de Trabalho onde preenchemos um leque bastante interessante e atrativo na área cardiovascular e respiratória, dedicada especialmente aos Médicos de Família e Internistas. No âmbito da Sessão da Abertura Oficial, uma conferência, resultado da investigação original em que a UCARDIO esteve envolvida, base de uma Tese de Doutoramento, que aborda o Consentimento Informado para atos médicos em idades pediátricas. Este estudo incluiu cerca de 100 crianças que foram submetidas a Ecocardiografia de Esforço na UCARDIO. No sábado, dia 26 de outubro irá estar na Ordem do Dia o Bloco de Cardiologia, onde passaremos em revista o estado atual da arte na insuficiência cardíaca, fibrilhação auricular e potencialidades da cardiologia invasiva para além do tratamento da doença coronária. Para além da Cardiologia, abordaremos nesta edição duas temáticas diferentes: A Insuficiência Renal e a Hiperhidrose, um tema “tabu” para muitos doentes que ficam perdidos durante anos em sofrimento interior, muitos dos quais nunca serão tratados adequadamente por falta de informação adequada sobre o diagnóstico e tratamento adequado. Pelo meio, a Conferência habitual sobre Ecocardiografia de Esforço, a “pedra angular” na estratégia de avaliação cardíaca na UCARDIO. Falar-se-á sobre a aplicação deste método em idades pediátricas. Será um dos pontos mais altos do programa, tal como a Conferência final do programa da manhã que abordará a norma, variação e paradoxo do desejo masculino, um título que à partida nada faria pensar poder fazer parte de uma Reunião de Cardiologia. Não podemos deixar de frisar, na parte da tarde, a entrada no território legal, ético e de responsabilidade do ato médico e medicinas alternativas, outra das surpresas na diversidade e interesse do conteúdo temático. Finalmente, a Sessão de Casos Clínicos. Este ano, pela primeira vez atribuiremos um prémio à melhor apresentação.
P: Fazendo eco ao tema do Bloco 1, “Cardiologia - o que está na ordem do dia?”, aproveitávamos para lhe perguntar sobre o atual estado desta especialidade em Portugal. Que desafios se colocam, atualmente, aos seus profissionais?
JG: É uma especialidade com importante relevância pela sua posição central na prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares, principal causa de morbilidade e mortalidade no nosso país, na sociedade ocidental e nos países denominados “desenvolvidos”. É neste cenário que se encontra o maior desafio da Cardiologia: promover a redução da incidência, melhorar a qualidade de vida e reduzir o impacto sobre prognóstico vital das doenças cardiovasculares. Para esta tarefa dispomos de um excelente nível de profissionais com graus de diferenciação e especialização adequadas. Aqui surge outro importante desafio para os profissionais de cardiologia: estar em sintonia com a evolução constante desta especialidade.
P: O primeiro dia do evento será marcado pela realização – numa iniciativa inédita – do I Curso de Cardiologia Avançada. A quem se destina este momento formativo e que tipo de conteúdos serão lecionados?
JG: Esta é uma das grandes novidades no formato da Reunião desta IV edição. Optamos por dar início a um Curso específico e prático na área da Cardiologia de forma a trazer até nós a comunidade de Cardiologia a nível nacional, sobretudo Internos e Jovens especialistas. Escolhemos um Tema de Cardiologia de Intervenção, a simulação e treino médico em modelos não humanos para a primeira edição deste Curso. O SimulHeart, desenvolvido por cardiologistas que fazem parte da equipa da UCARDIO, consiste num simulador de alta fidelidade de Angioplastia Coronária, em modelo flexível, através do recurso a impressão 3D de anatomias de doentes reais. Este curso prático é dirigido a Internos e Especialistas de Cardiologia com especial interesse na área de Cardiologia de Intervenção. Tem como objetivo a realização de técnicas de intervenção coronária por cateterismo de complexidade crescente. Para tal, após a apresentação inicial, os participantes vão planear o procedimento com o auxílio de um operador experiente, executar no modelo seguido de discussão clínica e avaliação do resultado final.
P: Ao longo dos dias da IV Reunião Clínica, haverá ainda espaço para oficinas de trabalho, bem como para um Curso para Técnicos de Cardiopneumologia. Qual a importância de se desenvolver este tipo de iniciativas?
JG: Os Técnicos de Cardiopneumologia são uma parte muito importante do trabalho diário do Cardiologista. São o apoio e muitas vezes o “braço direito” do Cardiologista no diagnóstico através de uma vasta gama de Exames Complementares não invasivos e procedimentos de diagnóstico e intervenção por cateterismo. Já anteriormente tínhamos projetado a inclusão deste grupo profissional na nossa Reunião. Acontece agora na IV edição e será para manter no futuro. Eles são parte integrante e ativa das equipas de Cardiologia e não faz sentido não promover também ações de formação pós-graduada com este grupo.
P: Um elemento indissociável desta Reunião Clínica será a apresentação de casos clínicos, num ambiente informal. Poderemos dizer que, em Portugal, a comunidade médica já se encontra habituada à partilha de saberes e experiências? E que vantagens proporciona este intercâmbio?
JG: É aqui que o paradigma da medicina se encontra: na discussão dos casos clínicos. A Medicina tornou-se melhor, muito melhor com aplicação do método científico através de estudos, ensaios e registos. Mas, na verdade, a sua humanização entre pares (médicos) só encontra lugar quando em grupo conseguem discutir e promover os conceitos de cada um perante um caso clínico um objetivo em comum, a resolução diagnóstica e terapêutica. Os casos desafiantes, raros, e complexos despertam sempre grande interesse nas reuniões médicas. Promove-se a formação de todos e ficamos também do ponto de vista pessoal a conhecer quem muitas vezes apenas se conhece por telefone, email ou apenas por referencia. Os médicos precisam de se conhecer pessoalmente e discutir as ideias e os casos em conjunto para melhorar a qualidade e a performance da medicina. Em Portugal, esta cultura sempre existiu e penso que está bem ativa, embora existam áreas e especialidades com mais dificuldade neste âmbito. A Reunião UCARDIO, patrocina e fomenta fortemente esta partilha entre todos.
P: Hoje em dia, acredita que a população portuguesa se encontra melhor sensibilizada para os riscos subjacentes às doenças cardíacas? E qual o papel que o profissional de Medicina Geral e Familiar assume neste contexto?
JG: Apesar das fortes campanhas de prevenção que existem, divulgadas pela comunicação social e pelo mundo digital, continuamos muito aquém do desejado na formação de cada um de nós, individualmente e como sociedade, para alterar os nossos comportamentos de forma a reduzir ao máximo, o impacto das doenças cardiovasculares na qualidade de vida e limitar a mortalidade precoce que estas motivam. O trabalho em casa pelos pais e famílias e nas Escolas é fundamental para conseguir melhorar estes conceitos. É nas crianças e nos mais jovens que devemos apostar para um futuro melhor. Os Médicos de MGF são neste ponto um elemento crucial na divulgação, educação e promoção das medidas de prevenção das doenças em geral e dos riscos cardiovasculares em particular. São os médicos que estão mais perto e em constante contacto com a população. A sua formação específica e estratégia do plano nacional de saúde, dá-lhes o principal papel neste cenário.
P: Por fim, que expectativas se reservam para a IV Reunião Clínica, em termos de adesão da comunidade médica? E que mensagem gostaria de partilhar junto de todos os convidados e do público que marcará presença no evento?
JG: Esperamos que seja uma Reunião em que todos se sintam confortáveis com o ambiente e temas que serão debatidos. Elevámos a fasquia comparativamente à edição anterior e contamos com maior adesão à iniciativa. Incorporamos mais conteúdos e diferenciação para grupos específicos de profissionais através dos Cursos que englobam a Reunião deste ano. O programa foi construído com foco na atualidade contrapondo temas que são pertinentes e que não são alvo frequente de debate. Tentamos ser o mais abrangentes sem condicionar cada uma das especialidades a quem se dirige a Reunião. A principal mensagem é que venham até nós. Fora dos grandes centros também se pode conseguir fazer boas Reuniões Médicas com qualidade. Desejamos que o MAPA nacional conte connosco para os próximos anos neste sentido. Fonte: perspetivas.pt
Ler mais...

Prevenir bem para melhor viver

Jorge Humberto Guardado, cardiologista de intervenção, fala sobre a importância de estarmos alerta para os sinais que o organismo nos transmite. Paralelamente, reflete também sobre as mais-valias de que se reveste a Ecocardiografia de Sobrecarga – método de diagnóstico pouco difundido em Portugal. Sempre que falamos em doenças cardiovasculares (DCV), fazemos alusão à principal causa de morte em Portugal, aspeto que se evidencia pela frieza dos dados estatísticos que nos lembram que estas representam um terço da mortalidade, ano após ano. Igualmente chocante é que cerca de 80% da mortalidade prematura pelas DCV poderia ser evitada, fosse outro o comportamento da população. Perante a severidade de tal cenário, nunca serão demasiados os esforços em torno de uma cultura de prevenção, sendo essa mais-valia que Jorge Humberto Guardado, especialista em Cardiologia e diretor clínico da UCARDIO – Unidade Cardiovascular (com sede em Riachos, Torres Novas) tem enfatizado numa conjuntura em que se afigura difícil resistir a uma série de “fatores sociais”, sejam eles o poder que o marketing exerce nos consumos alimentares, seja a facilidade de acesso a “uma série de elementos limitadores da nossa esperança de vida”, de que o tabaco constitui exemplo. Recordando que “a prevenção das DCV é uma questão de educação para a saúde”, o nosso interlocutor defende que compete a toda a população deter “um conhecimento razoável sobre o nosso corpo e o mecanismo das doenças” a fim de que nos possamos efetivamente salvaguardar. Como tal, e salientando que é sempre a nossa longevidade e qualidade de vida que se encontram em jogo, o cardiologista de intervenção considera que esta é uma atitude que “começa em casa, com a família”, evidenciando-se em fatores como “as escolhas alimentares ou a forma como se pratica, ou não, atividade desportiva”. Claro que, em consonância com este papel ativo, acrescenta-se o contributo de outros agentes, nomeada-mente “as escolas, os centros de saúde, os médicos de família e outros profissionais de saúde”, bem como “os jornais, as televisões e o marketing digital”, em tarefas como o apoio a “digerir e incorporar informação” sobre hábitos preventivos. Posto isto, e ainda que “abaixo dos 35 anos, por norma, a grande maioria da população seja saudável do ponto de vista cardíaco”, Jorge Humberto Guardado acredita que é a partir desta faixa etária que os checkups devem começar a ser devidamente ponderados, “especialmente se as pessoas tiverem uma atividade física intensa ou quiserem praticar desporto”. Existem, ainda assim, situações em que a visita ao Cardiologista deverá ser efetuada mais cedo, como é o caso dos pacientes que nasceram com defeitos congénitos ou se fazem acompanhar do fator “hereditariedade”, contendo no historial familiar pessoas que faleceram prematuramente na sequência de problemas cardiovasculares.

Sinais de alerta

“Quando os sintomas surgem, isso significa que a maior parte das pessoas já atingiu um ponto de desequilíbrio no organismo em que a doença já se manifesta”, começa por avisar o diretor clínico da UCARDIO. É, como tal, desejável que o paciente possa antecipar a eventual manifestação de um evento agudo e “procure a ajuda de um profissional de saúde” a partir do momento em que se detetam fatores como a “elevada pressão arterial, o excesso de peso, os altos níveis de colesterol, a diabetes e o tabagismo”, cujo controlo se afigura essencial. Por outro lado, e no que diz respeito a sintomas mais graves de mal-estar cardíaco, importa mencionar a angina – descrita como “uma dor torácica no centro do esterno” que se manifesta quando “a pessoa desenvolve um esforço físico como, por exemplo, subir umas escadas”, podendo ser “estendível aos braços, pescoço ou à parte escapular”, o que constitui “um sinal forte de que a pessoa deve procurar ajuda médica para que se possa perceber se está a entrar num contexto de doença coronária – a mais comum e grave das patologias que se desenvolvem na idade adulta”, alerta o especialista. Nesse sentido, se a dor “for opressiva e fixa, aparecer de forma súbita, durar alguns minutos e for acompanhada de uma sensação de mal-estar ou de sudação”, ela deverá motivar uma ida imediata ao hospital ou, preferencialmente, uma chamada da emergência médica (112), na medida em que “poderá estar a acontecer uma situação aguda”. Caso tal não se verifique, será importante, ainda assim, “agendar uma consulta com o médico de família ou o cardiologista, de modo a que se possa perceber se existe algum problema cardíaco a desenvolver-se”. Outros sinais que jamais deverão ser ignorados são as “sensações de palpitação rápida”, o “coração muito acelerado” ou a “perda de consciência de forma súbita”. Já no que à dimensão cerebrovascular e neurológica diz respeito, Jorge Humberto Guardado defende ainda que se deverá prestar atenção a indicadores como “a alteração da força muscular nos membros” ou “a incapacidade ou alteração na articulação da voz”. Um último sintoma que merece referência e que motiva um elevado número de consultas é o cansaço que, embora grave quando se manifesta por insuficiência cardíaca, pode ter origem em doenças não cardiovasculares, como é o caso, por exemplo, dos problemas pulmonares e oncológicos ou da anemia.

Ecocardiografia de Sobrecarga

Vivemos, efetivamente, numa época de fácil acesso à informação e em que “os testes cardíacos de primeira linha são inócuos”, pelo que – longe de motivar qualquer dúvida – “fazer uma ecografia cardíaca, um eletrocardiograma ou uma auscultação cardíaca corresponde já a uma situação perfeitamente banal” e segura para o paciente, proporcionando “um diagnóstico interessante do ponto de vista anatómico e estrutural”. Comum à maioria dos exames mais avançados no universo da Cardiologia é a obtenção de valiosa informação sobre o paciente através de uma imagem cardíaca, cuja materialização é assegurada através de diferentes mecanismos, desde a utilização de um campo magnético (ressonância magnética) à emissão de ultrassons (ecografia) ou de radiação (tal como se verifica no caso das TAC e da Medicina Nuclear). É precisamente neste contexto que o especialista aproveita para questionar a persistência de “uma cultura que foi introduzida nos cardiologistas e que ainda permanece na sua formação”, à qual não serão alheias as diretrizes do Serviço Nacional de Saúde: nada mais, nada menos do que o predomínio da cintigrafia enquanto meio de diagnóstico preferencial (e comparticipado) na deteção de problemas cardiovasculares, nomeadamente da doença coronária. Por outro lado, e em alternativa a um procedimento que expõe o paciente a radiação, Jorge Humberto Guardado salienta as mais-valias da Ecocardiografia de Sobrecarga (Eco Stress), uma tipologia de exame “0% invasivo” que tem sido dinamizada em Portugal, de forma pioneira e corajosa, pelo prof. Carlos Cotrim (Responsável pelos Laboratórios de Ecocardiografia da UCARDIO e do Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa), bem como pelos cardiologistas que o admiram e se reveem no seu percurso. Fazendo referência a uma técnica “amplamente difundida em países como Espanha, Itália ou Suécia”, o nosso interlocutor é perentório na defesa de um meio de diagnóstico “fácil, simples, reprodutível e capaz de assegurar bons resultados”, que poderia contribuir para uma melhoria da segurança dos doentes da Cardiologia em Portugal, caso pudesse ser devidamente comparticipado e melhor divulgado no seio da classe médica. Adicionalmente, e para além de não exercer qualquer influência sobre o organismo do paciente (com a exceção da Ecocardiografia de Sobrecarga Farmacológica, mediante a qual é administrado um fármaco com a finalidade estimular o coração de um doente que não possa efetuar o Eco de Stress habitual em Esforço), este corresponde a um método cuja utilidade em muito extravasa a deteção da doença coronária. De facto, a Ecocardiografia de Sobrecarga permite avaliar a existência e gravidade de patologias como a “doença muscular, a doença valvular ou a hipertensão pulmonar”, assumindo-se como um exame “que permite uma avaliação mais fisiológica e holística do ponto de vista cardíaco”, revelando-se também como uma valiosa técnica para monitorizar “a forma como o miocárdio contrai, como se comportam os apare-lhos valvulares, como as pressões pulmonares evoluem e se existe, ou não, isquémia”. A tais argumentos importa, por fim, salientar a extrema “acuidade” de um teste que, em termos de “sensibilidade e especificidade ronda os 85 a 90%, o que é ótimo”, conclui Jorge Humberto Guardado.

Partilha de saberes

Acreditando na necessidade de “comunicar com os pares” a fim de que se possam partilhar experiências entre profissionais, a UCARDIO dinamiza, num regime anual, sessões científicas que têm merecido a crescente aceitação da comunidade médica e da sociedade em geral. Concomitantemente, a III Reunião Clínica da UCARDIO (a realizar-se no icónico Convento do Carmo, Torres Novas, nos dias 16 e 17 de novembro) será subordinada ao tema “O Cálice Sagrado da Cardiologia” – numa referência à já mencionada Ecocardiografia de Sobrecarga. Mais, no entanto, do que refletir apenas sobre as mais-valias de uma metodologia de diagnóstico de inegável interesse para especialistas e pacientes, o evento pro-mete uma saudável “multidisciplinaridade” que proporcionará espaço a temáticas como a Hipertensão Pulmonar, a Insuficiência Cardíaca, a Morte Súbita, o Cansaço e os Pulmões, a Apneia do Sono ou os Desencontros Sexuais. Assim, e pa-ralelamente ao input de cardiologistas, será dado espaço para o testemunho de especialistas de universos tão díspares quanto a Urologia ou a Psiquiatria. Já a princi-pal novidade da III Reunião Clínica prende-se com a discussão de casos clínicos e a realização de “oficinas de trabalho” destinadas “a internos em formação ou especialistas mais jovens” que pretendam reforçar conhecimentos no amplo universo da Cardiologia. Fonte: http://perspetivas.pt/wp-content/uploads/2018/09/U-Cardio.pdf
Ler mais...

UCARDIO-Cardiologia diferenciada

Localizada em Riachos, a UCARDIO é a concretização de um projecto pessoal assumido em nome do especial carinho que Jorge Humberto Guardado, o seu mentor e Director Clínico, tem quer pela área da Cardiologia quer pela sua terra natal e região do Médio Tejo. Um serviço de proximidade e integrado Caracterizada pelos tratamentos diferenciados, pela elevada especialização do seu corpo clínico e pela política de proximidade, a UCARDIO é um espaço onde a Cardiologia é interpretada em sintonia com um amplo leque de especialidades médicas, na tentativa de proporcionar o melhor tratamento a cada utente. Parte significativa das pessoas que apresenta doenças cardiovasculares tem também outras patologias associadas, pelo que o seu diagnóstico e tratamento deve ser feito de forma integrada com todas as áreas de especialidade médica que estão envolvidas. A UCARDIO tem no seu quadro Cardiologistas diferenciados e com experiência em Cardiologia de Intervenção, Electrofisiologia/Arritmologia Cardíaca e Ecocardiografia avançada, que trabalhando em equipa podem proporcionar aos utentes as intervenções mais adequadas na doença coronária e valvular, miocardiopatias, insuficiência cardíaca e arritmias. Para além de um corpo clínico especialmente capacitado, experiente e sensível ao bem-estar do utente, este é um espaço que proporciona o essencial das técnicas no âmbito da Cardiologia de ambulatório - Eletrocardiograma, o Holter, o Registo de Eventos Cardíacos, a Pressurometria (MAPA), a Ecocardiografia e a Prova de Esforço. A UCARDIO pode também orgulhar-se de proporcionar uma tecnologia normalmente disponível apenas em contexto hospitalar e cujos méritos são já bem reconhecidos entre a comunidade médica: a Ecocardiografia de Sobrecarga, em nome da qual é exigido um importante investimento material e humano. A Ecocardiografia de Sobrecarga em Esforço caracteriza-se pela elevada sensibilidade e especificidade no diagnóstico, por comparação a uma simples prova de esforço. Consistindo num “método fisiológico”, trata-se de um exame especificamente focado na avaliação da doença coronária mas que também tem a vantagem de simultaneamente poder ser utilizado para identificar e estratificar patologias como a doença valvular, a miocardiopatia hipertrófica, a hipertensão pulmonar ou a existência de gradientes intraventriculares, uma entidade subdiagnosticada e que motiva muitas vezes queixas e /ou alterações na prova de esforço (só com ECG) em adolescentes e jovens adultos desportistas. Sendo uma técnica que permite analisar o paciente enquanto este exerce um esforço físico análogo ao da sua vida diária. Mas outro dos importantes argumentos a favor desta tipologia de exame não-invasiva reside no facto de não incluir radiação (teste “verde”, amigo do doente e do ambiente) contrariamente ao que se verifica com outras opções de análise como é o caso da cintigrafia de perfusão do miocardio, esmagadoramente utilizada no nosso país. É muito mais simples – e melhor para o doente – se utilizarmos métodos que não façam mal às pessoas, de acordo com o influente cardiologista, Prof. Carlos Cotrim, que foi pioneiro na utilização da Ecocardiografia de Sobrecarga em Portugal e na Europa e cujo contributo profissional se afigura como uma incalculável mais-valia para a UCARDIO. A excelência dos serviços proporcionados na UCARDIO explica-se não apenas pela grande aposta em constituir uma equipa médica e técnica que conciliasse um currículo diferenciador e altamente especializado com uma filosofia e partilha de valores comuns. Fazendo jus a todos estes elementos, esta corresponde a uma das poucas clínicas em regime de ambulatório distinguidas com a certificação ISO 9001 (Sistemas de Gestão de Qualidade), tendo sido uma das primeiras a obter esta insígnia, no ano de 2012. E porque é intenção chegar cada vez mais longe no universo da Cardiologia, a clínica já vai para a realização da terceira Reunião Médica Anual com a Medicina Familiar da região e brevemente dará início à realização de projetos de formação e investigação científica, fortificando-se, passo ante passo, o compromisso que este espaço de saúde assumiu com o bem-estar da sociedade. * Cardiologista de Intervenção, Director Clínico - Ucardio
Fonte: https://omirante.pt/semanario/2018-05-03/especial-saude/2018-05-03-UCARDIO-Cardiologia-diferenciada
Ler mais...

“Os hospitais do distrito não têm condições para tratar urgentemente doentes cardíacos com enfarte agudo do miocárdio”

Jorge Guardado, médico especialista em cardiologia no Hospital de Leiria e na sua clínica privada em Riachos, concelho de Torres Novas, vive entre bisturis e cateteres há cerca de 11 anos. Um apaixonado pela profissão que sempre conseguiu lidar com a pressão de ter nas mãos a vida dos seus doentes. Nascido e criado em Riachos, Jorge Guardado passou uma infância feliz jogando à apanhada, ao berlinde e ao pião e dedicando-se aos estudos. “Sempre fui aplicado e tinha boas notas”. E não foi só na escola que se destacou com bons resultados. Também no futebol mostrou ter jeito para a bola tendo pertencido à selecção distrital de sub 15 e jogado nos juniores da Académica de Coimbra. Foi na altura em que, com 16 anos, foi viver para a cidade dos estudantes e terminou o ensino secundário. Entretanto, como tinha notas elevadas, decidiu concorrer para medicina e entrou. Terminou o curso em 1995 e foi fazer 18 meses de internato geral nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), período obrigatório para adaptação à vida profissional e para que o médico pudesse escolher que especialidade seguir. Quando terminou, fez o primeiro exame de acesso à especialidade no final de 1997 e entrou para medicina interna (internato complementar) nos HUC mas não chegou a terminar. Decidiu retomar os livros e escolher outra especialidade que mais tivesse a ver com ele. Concorreu e entrou finalmente no internato de cardiologia no Hospital Garcia da Horta, em Almada, especialidade onde viria a vingar. “A cardiologia é muito especial pois, trabalhamos com um dos órgãos vitais do corpo humano, o coração”, diz o médico de 46 anos. No último ano de internato, após ter ganho uma bolsa da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, esteve no Hospital Universitario Rey Juan Carlos, em Madrid (Espanha) para formação e treino em cardiologia de intervenção. Em 2006, realizou o exame final e acabou com nota máxima. A partir daí, continuou no Hospital Garcia da Horta como cardiologista, tendo-se dedicado especialmente à parte da intervenção cardíaca por cateterismo cardíaco, e abriu também a sua clínica em Riachos, que conta actualmente com quatro cardiologistas e várias outras especialidades. Hospitais da região sem salas de cateterismo e intevenção coronária Jorge Guardado não tem dúvidas em afirmar que o número de cardiologistas com mérito é elevado, mas, neste momento, nem o Hospital de Santarém nem o Centro Hospitalar do Médio Tejo têm apostado nessa área. “Os hospitais do distrito de Santarém não têm nem cardiologistas de intervenção nem salas de hemodâmica para tratar doentes coronários”, afirma, referindo que, geralmente, os pacientes são enviados para os estabelecimentos de saúde de Lisboa o que “atrasa o tratamento no momento certo e gera altos custos para o próprio Estado”. Para o médico de Riachos, não faz sentido os estabelecimentos de saúde do distrito abrangerem mais de meio milhão de habitantes e não terem uma sala de intervenção cardíaca para resolver de uma forma rápida os problemas dos doentes coronários, sendo esta uma das doenças que mais mata em Portugal. “Custa-me bastante estar aqui perto do Hospital de Santarém e do Centro Hospitalar do Médio Tejo e ter de ir até ao Hospital de Leiria para tratá-los porque enviaram os doentes para lá”, admite. Alegrias e tristezas do exercício da profissão Histórias é o que não falta ao médico de 46 anos que já chegou a fazer num ano 330 intervenções cardíacas por cateterismo e mais de 500 diagnósticos. Uma vez, conta, foi chamado para uma urgência no Hospital de Leiria. Era um jovem militar de cerca de 30 anos que tinha tido um ataque cardíaco em Tomar e quando chegou ao estabelecimento de saúde estava quase em morte clínica. Felizmente, em poucos minutos conseguiu-se desobstruir uma das artérias principais do coração e o jovem salvou-se. Hoje, e porque teve uma recuperação brilhante, não se encontra nos exames complementares nenhuma sequela visível daquilo que lhe aconteceu. Mas também há histórias infelizes para contar. Uma vez, recorda-se, foi transferido um doente de meia-idade do Hospital de Abrantes para Leiria numa situação de choque cardiogénico (falência já completa do coração). A intervenção cardíaca durou cerca de três horas e quando terminou, já depois de reposto o fluxo da artéria coronária “entupida”, o doente teve uma paragem cardíaca na sala e não sobreviveu. Fonte: https://omirante.pt/semanario/2018-01-04/identidade-profissional/2018-01-03-Os-hospitais-do-distrito-nao-tem-condicoes-para-tratar-urgentemente-doentes-cardiacos-com-enfarte-agudo-do-miocardio
Ler mais...

Cardiologia de proximidade

Caracterizada pelos tratamentos diferenciados, pela elevada especialização do seu corpo clínico e pela política de proximidade, a UCARDIO é também o espaço onde a Cardiologia é interpretada em sintonia com um amplo leque de especialidades médicas, na tentativa de proporcionar o melhor tratamento a cada utente. Sediada em Riachos (Torres Novas), a UCARDIO é a concretização de um projeto pessoal assumido em nome do especial carinho que Jorge Humberto Guardado nutria, quer pela área da Cardiologia quer pela sua terra natal. Corria precisamente o ano 2001 quando o então interno no Hospital Garcia de Orta conciliava os seus dias em Almada com os fins de se-mana passados num consultório nesta freguesia de Torres Novas, a proporcionar acompanhamento médico, primeiro a familiares e amigos e, já posteriormente, a um volume cada vez maior de utentes. Na lógica desse mesmo serviço esteve uma filosofia de proximidade que, volvidos dezasseis anos, se mantém inalterada, garantindo a cada utente o fácil acesso a uma resposta para os seus problemas. À medida que o projeto foi crescendo, de igual modo se assumiu o imperativo de apostar em novos equipamentos, recursos humanos e condições logísticas, numa espiral ascendente que justificou, há precisamente dez anos, a necessidade de reformular um novo conceito, “baseado numa clínica de maior amplitude”. Na concretização desse mesmo desígnio, surge a UCARDIO – abreviatura de Unidade Cardiovascular – que, mediante uma filosofia e percurso muito próprios, se sagrou, enquanto um espaço privado de referência, não apenas num contexto regional, como também à escala nacional.

Um serviço integrado

Pese embora a oferta de um serviço de “Cardiologia amplamente diferenciada e capaz” corresponda à “pedra angular” por detrás de toda a atividade exercida na clínica, desde cedo que Jorge Humberto Guardado se apercebeu da importância de proporcionar à sua rede de utentes um conjunto de outras especialidades médicas e exames complementares de diagnóstico que, pela sua natureza e objeto de intervenção, se cruzassem de algum mo-do com o diagnóstico e tratamento das patologias do coração ou do sistema cardiovascular. De facto, e tal como esclarece o porta-voz, “grande parte das pessoas que sofre destes problemas tem também outras patologias associadas”, pelo que “o seu diagnóstico e tratamento deve ser feito em conjunto”. Não constituirá, posto isto, surpresa que a UCARDIO proporcione consultas, diagnóstico e tratamentos em áreas como a Pneumologia, a Neurologia ou a Cirurgia Vascular. Assente, de resto, na importância do exercício de uma “Medicina integrada”, existem naturais pontes estabelecidas entre a Cardiologia e outras especialidades e áreas complementares da Medicina e de Bem-Estar como, por exemplo, a Medicina Geral e Familiar, a Medicina Interna, a Psiquiatria ou a Psicologia Clínica e a Nutrição Clínica. Verifica--se, por outras palavras, a existência de um corpo clínico heterogéneo e predisposto para atender “a tudo o que o doente necessita quando nos apresenta uma queixa cardiovascular”, sintetiza Jorge Humberto Guardado. Igualmente essencial para o sucesso de qualquer intervenção médica é, todavia, a existência de elos de interação e troca de conhecimento entre os diferentes especialistas médicos, assim como com os Cardiopneumologistas que, coordenados por Jorge Marques, garantem a acuidade e qualidade técnica na execução dos exames de diagnóstico aqui realizados. “Não entendo a Medicina como uma realidade em que os profissionais estejam isolados uns dos outros; é obrigatório que haja uma cultura de partilha e de comunicação”, argumenta o nosso interlocutor, de forma a evitar a existência de “conflitos entre os tratamentos e prioridades dos cuidados médicos”. A sinergia apresenta-se, por outro lado, como um método de trabalho mais útil e eficaz para o utente, na medida em que contraria “a fragmentação dos doentes”, aquilo que o responsável da UCARDIO interpreta como sendo “um dos grandes problemas da Medicina atual”.

Cardiologia diferenciada

Enquanto clínica que funciona exclusivamente em regime de ambulatório, a UCARDIO fez “tudo o que era possível para estender ao máximo aquilo que é a possibilidade, de acordo com o enquadramento legal, dos seus tratamentos”. Assim sendo, e para além de um corpo clínico especialmente capa-citado, experiente e sensível ao bem--estar do utente, este é um espaço que proporciona um amplo conjunto de técnicas no âmbito da Cardiologia. A título exemplificativo, poderemos elencar o Eletrocardiograma, o Holter, o Registo de Eventos Cardíacos, a Pressurometria (MAPA), a Ecocardiografia e a Prova de Esforço – naquilo que Jorge Humberto Guardado descreve como “a panóplia normal de uma boa clínica da especialidade”. Importa, no entanto, que se ressalve o modo como a unidade de saúde sempre procurou apostar no continuado investimento tecnológico e humano, à procura de uma diferenciação que garantisse as melhores hipóteses de sucesso ao seu paciente. É nesse âmbito que a UCARDIO se pode orgulhar de proporcionar uma tecnologia normalmente disponível apenas em contexto hospitalar e cujos méritos são já bem reconhecidos entre a comunidade médica: a Ecocardiografia de Sobrecarga, em nome da qual é exigido um importante investimento material e humano. Consistindo num “método fisiológico e recomendado pela Sociedade Europeia de Cardiologia”, trata-se de um exame especificamente focado na avaliação da doença coronária mas que também tem a vantagem de simultâneamente poder ser utilizado para identificar e estratificar patologias como a doença valvular, a miocardiopatia hipertrófica, a hipertensão pulmonar ou a existência de gradientes intraventriculares, uma entidade sub-diagnosticada e que motiva muitas vezes queixas e/ou alterações na prova de esforço clássica (só com ECG) em adolescentes e jovens adultos desportistas. Consistindo numa técnica que permite analisar o paciente enquanto este exerce um esforço físico análogo ao da sua vida diária, a Ecocardiografia de Sobrecarga em Esforço caracteriza-se pela elevada sensibilidade e especificidade no diagnóstico, por comparação a uma simples prova de esforço. Mas outro dos importantes argumentos a favor desta tipologia de exame não-invasiva reside no facto de corresponder a uma tecnologia que não liberta qualquer tipo de radiação (teste “verde”, amigo do doente e do ambiente) contrariamente ao que se verifica com outras opções de análise, como é o caso da cintigrafia de perfusão do miocárdio, esmagadoramente utilizada no nosso país. “É muito mais simples e melhor para o doente se utilizarmos métodos que não façam mal às pessoas”, constata o influente cardiologista Carlos Cotrim, que foi pioneiro na utilização da Ecocardiografia de Sobrecarga em Portugal e na Europa, e cujo contributo profissional se afigura como uma incalculável mais valia para a UCARDIO. Importa, por fim, referir que a Clínica se encontra também capacitada para a realização de Ecocardiografias de Sobrecarga Farmacológicas, na sequência de um licenciamento emitido pelo Infarmed para a aquisição dos necessários fármacos (bastante associados ao seu uso hospitalar). Esta consiste, pela sua natureza, numa opção mediante a qual se estimula o coração do utente por via farmacológica (também sem haver nenhum produto radiativo a ser administrado) sendo utilizada em contextos onde não seja possível a realização de testes de esforço.

Qualidade e futuro

A excelência dos serviços proporcionados na UCARDIO explica-se não apenas pela grande aposta que Jorge Humberto Guardado assumiu na tentativa de constituir uma equipa médica e técnica que conciliasse um currículo diferenciador e altamente especializado com uma filosofia e partilha de valores comuns. Fazendo jus a todos estes elementos, esta corresponde a uma das poucas Clínicas em regime de ambulatório distinguidas com a certificação ISO 9001 (Sistemas de Gestão de Qualidade), tendo sido, inclusivamente, a primeira no distrito de Santarém a obter esta mesma insígnia em 2012. Recordando a especial exigência e esforço que foram necessários para o alcance deste mesmo estatuto, o nosso interlocutor faz questão de partilhar o seu agradecimento para com a persistência de Ana Santos, Diretora Geral da UCARDIO e responsável pelo departamento de qualidade. No entanto, e porque é intenção da clínica chegar cada vez mais longe no universo da Cardiologia, Jorge Humberto Guardado revela que entre as etapas a concretizar a curto prazo se incluirá o início da realização de projetos de for-mação e investigação científica, fortificando-se, passo ante passo, o compromisso que este espaço de saúde as-sumiu com o bem-estar da sociedade e com o cada vez maior conhecimento da classe médica nacional. Fonte: http://perspetivas.pt/wp-content/uploads/2017/11/Ucardio.pdf
Ler mais...

Clínica UCARDIO faz reunião clínica em interface com médicos de família

A UCARDIO, clínica localizada em Riachos e especializada em Doenças Cardiovasculares, realizou pela primeira vez uma Reunião Clínica em Interface com os Médicos de Medicina Familiar. A UCARDIO, clínica localizada em Riachos e especializada em Doenças Cardiovasculares, realizou pela primeira vez uma Reunião Clínica em Interface com os Médicos de Medicina Familiar. Este evento teve lugar no passado dia 15 de Outubro, no Palace Hotel de Monte Real e aliou os Departamentos de Cardiologia, Pneumologia e Urologia da UCARDIO com cerca de 20 Médicos que trabalham em Centros e Unidades de Saúde Familiar dos Concelhos de Alcanena, Golegã, Entroncamento e Torres Novas. O programa Científico, sob patrocínio da Farmacêutica Menarini Portugal, contemplou duas mesas redondas com temas actuais e pertinentes ligados às Doenças Cardiovasculares. Angina de Peito, Fibrilhação Auricular, Tabagismo, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, Apneia Obstrutiva do Sono e Disfunção Eréctil foram algumas das patologias abordadas. No final houve ainda tempo para falar sobre o trabalho de equipa e multisdiplinar (Team Work) que é desenvolvido na UCARDIO. Particular ênfase foi dado à capacidade e elevada experiência que reside na UCARDIO em efectuar o diagnóstico e seguimento da doença coronária através da Ecocardiografia de Sobrecarga (em Esforço ou Farmacológica), um exame considerado nas actuais recomendações da Sociedade Europeia de Cardiologia e que tem as grandes vantagens de ter menor custo, mais eficiência e não contemplar o uso de radioactividade, em comparação com a Cintigrafia de Perfusão do Miocárdio, que infelizmente para o doente, é o exame mais usado em Portugal no cenário da avaliação da doença coronária. Segundo o Director Clínico da UCARDIO, o Cardiologista de Intervenção, Dr. Jorge Humberto Guardado, “estas Jornadas eram há muito ambicionadas por esta Unidade Cardiovascular de forma a poder expor, em toda a amplitude, o seu conceito e potencialidades à comunidade Médica de Medicina Familiar com a qual convivemos diariamente através dos nossos doentes”. A Reunião Científica teve um carácter informal e registou uma forte adesão e participação pelo que já se está a equacionar a segunda edição para o próximo ano. Fonte: https://omirante.pt/semanario/2016-10-27/economia/2016-10-27-Clinica-UCARDIO-faz-reuniao-clinica--em-interface-com-medicos-de-familia
Ler mais...